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Câmara realiza seminário sobre a Encíclica Fratelli Tutti, que trata da fraternidade e política para um mundo melhor

No dia 3 de outubro de 2020, na cidade de Assis, na Itália, o Papa Francisco apresentou a Encíclica Fratelli Tutti, que trata da fraternidade e da amizade social como instrumentos para construção de um mundo melhor e mais justo. A carta sistematiza os pensamentos de Francisco nesses sete anos de seu pontificado. Com base nesta importante Carta Encíclica, a Câmara dos Deputados realizou nesta segunda-feira (8), por meio das Comissões de Direitos Humanos, do Idos e de Legislação Participativa, seminário que discutiu os princípios da Encíclica no âmbito da política brasileira e sua contribuição para uma forma mais fraterna de guiar as ações do Poder Público, especialmente, das atividades parlamentares. O debate foi em atendimento aos requerimentos do deputado federal Zé Ricardo (PT/AM) e de outros parlamentares de bancada do PT e de outros partidos.

Inicialmente, o secretário-executivo da Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB, Daniel Seidel, que abriu o evento, explicou que 45 parágrafos da Encíclica remetem ao tema da melhor política, como sendo a forma mais nobre de caridade. E contribui também para reflexão a respeito de onde se quer ir com a política e não mais o quantos votos que o candidato receberá. Como ainda leva a pensar no quanto amor se coloca no trabalho político, que marcas deixarão na sociedade e que forças positivas se produzem com o que se foi confiado. Ele disse ainda que o esforço do Papa Francisco é sempre colocar a política acima da economia, com seus princípios, chamando para a construção de um projeto comum.

Para Zé Ricardo, é preciso aprofundar no conteúdo da Encíclica, sobretudo, no momento atual do Brasil, com grandes retrocessos em relação aos direitos humanos. Ele destacou que a Constituição Federal incorporou o documento da ONU, da Declaração Universal dos Direitos da Pessoa Humana, mas ainda não é respeita e nem praticada na sua integralidade.

“Até hoje, falam em mudanças na Constituição, mas para pior, e não para avançar. E, quando implementam as políticas públicas e as prioridades, é preciso pensar também no orçamento. Recursos para a educação, para a saúde, para o combate à fome, que voltou ao país. Mas parece que não são prioridade. E a mensagem do Papa vem dizer sobre as ações mais solidárias e fraternas, junto aos povos tradicionais e indígenas, com tantos casos de violência, inclusive, na Amazônia. A Encíclica nos chama atenção, fazendo cobranças com relação à política, de não submeter à economia e ao mercado. Mas nesta Casa tem propostas com interesses localizados, de uma minoria que não é o povo”, declarou ele, parabenizando as comissões da Casa, que trouxeram esse debate tão necessário”.

O Seminário também contou a participação do arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, que destacou a importância da Encíclica Fratelli Tutti para a conjuntura política atual do país. “É preciso refletir esse texto muito importante do Papa Francisco. É um texto eminentemente político, que nos ajuda a compreender verdadeiramente o significado da política, que significa os cuidados com as pessoas e com as relações, ou seja, cuidado com a convivência humana como um todo. É um texto que nos ajuda a compreender especialmente as mais profundas necessidades do outro. Eu creio que nós, enquanto pessoas políticas, especialmente, àqueles que estão envolvidos diretamente com decisões políticas a respeito das nossas vidas, é necessário ler, compreender, aprofundar e perceber como a política é realmente e devem procurar estabelecer diálogos com essas relações, agindo em defesa da dignidade humana, da justiça, da fraternidade e da liberdade”, disse.

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