Saúde

Em reunião com os representantes da enfermagem, José Ricardo reafirma apoio à luta da categoria e cobra melhores condições de trabalho para os profissionais do Amazonas

Na semana em que se comemora o Dia da Enfermagem, o deputado federal José Ricardo (PT) organizou, na tarde desta quarta-feira (13), um debate virtual com representações da categoria de Enfermagem do Amazonas e também do Brasil sobre o tema: “Formação, Assistência e Condições de Trabalho da Enfermagem Brasileira em tempos de Covid-19”. O objetivo da conversa foi ouvir a categoria a respeito das dificuldades que já vem enfrentando, mas que ultrapassou agora com a pandemia do novo Coronavírus. Durante a reunião, o parlamentar reafirmou apoio à categoria que luta por melhores condições de trabalho, sobretudo, na atualidade, contra a contaminação da doença, que já acometeu cerca de 900 profissionais dessa área da saúde.

Para o parlamentar, é preciso mais valorização desses profissionais, mas principalmente é necessário proporcionar segurança para realização de suas atividades. “Mesmo distante, é importante realizar o debate para a busca de soluções para os problemas. Um hospital não pode funcionar sem enfermeiros e técnicos. Nas visitas ao interior do estado, encontrei enfermeiras administrando unidades de saúde. Mas também esses profissionais estão faltando em vários desses hospitais. E a categoria ainda não é devidamente valorizada. O Governo do Estado vem praticando a terceirização nos serviços de saúde, contratando empresas que pagam baixos salários e jornadas extenuantes. Pior: muitas empresas atrasam salários por vários meses e deixam de recolher obrigações trabalhistas e previdenciárias”, destacou José Ricardo, afirmando que continuará cobrando do Governo do Estado e da Prefeitura ações para atender às reivindicações dos enfermeiros e valorizar a categoria.

Questionados por José Ricardo sobre a situação da deficiência de profissionais nas unidades de saúde, tanto da capital quanto do interior, o representante de Recursos Humanos da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), Gilberson, informou que a Secretaria tem hoje em seu quadro cerca de 1,1 mil enfermeiros e 6.860 técnicos em enfermagem, dentre servidores estatutários e temporários. No entanto, cerca de 750 profissionais de saúde estão afastados por conta de doenças, dentre muitos da área da enfermagem.

Profissionais vítimas da Covid – 19

A representante da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), enfermeira Adriana, respondeu que, quanto ao quadro de servidores, a cidade de Manaus possui em torno de 1 mil enfermeiros e 2300 técnicos. E que recentemente foram contratados mais 400 profissionais, dentre técnicos e enfermeiros. Porém, 156 servidores estão afastados por doenças de síndrome respiratória e, comprovadamente, a maioria por Covid-19, sendo que desse número muitos são profissionais da enfermagem. “Estamos buscando valorizar nossos servidores e precisamos contratar mais para suprir a necessidade da cidade”, destacou, informando que haverá um concurso público após a pandemia e que em breve abrirá o edital.

Francisca Valda, presidente da Associação Brasileira de Enfermagem (Aben), falou da importância da formação profissional e destacou que não tem como falar de formação sem falar dos cortes de investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), ocasionados pela aprovação da Emenda Constitucional 95, que congelou os recursos para saúde e outras áreas sociais. “Essa medida causou um forte impacto no sistema de saúde, causando a precarização dos serviços e do trabalho e atingindo, principalmente, os profissionais da área”, afirmou. Na ocasião, ela solicitou apoio do deputado para aprovação de uma lei que tramita no Congresso Nacional para instituir a prestação obrigatória e remunerada do serviço civil social, por profissionais recém-graduados na área de saúde que já tenham concluído sua graduação em instituições públicas ou que tenham sido beneficiários de bolsas ou outros auxílios oriundos de recursos federais. “Medida muito importante para quem tá iniciando a carreira”, defendeu Valda.

Já o representante do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Gilney Guerra, disse que a situação dos enfermeiros do país é drástica, uma vez que os dados de letalidades dos profissionais que estão à frente do combate do novo Coronavírus crescem a cada dia. “O que estamos vivendo é uma situação preocupante para nossa categoria. Hoje, no Brasil, temos mais de 14 mil colegas afastados e 108 óbitos, sendo 90 mortes confirmadas por Covid-19 e 18 subnotificações. Deveria ser um momento de comemoração, mas está sendo um tempo de tristeza, porque estamos perdendo muitos colegas. E a situação ainda está longe de acabar. O pico da pandemia ainda não aconteceu em todo país”, desabafou.

“O maior impacto dessa pandemia é para os enfermeiros. São eles os primeiros que recebem os pacientes. A enfermagem do Amazonas trabalha há muitos anos com dificuldades, mas agora está pior”. Essas foram as palavras da representante do Sindicato dos Profissionais da Enfermagem (Sinproenf), Hilda Rios Ruiz, sobre a situação dos enfermeiros e técnicos de enfermagem contaminados pela Covid-19. Ela também ressaltou a estrutura precária das unidades de saúde que hoje estão atendendo os pacientes com suspeita do novo Coranavírus, onde os materiais são insuficientes para atender a demanda da cidade.

E criticou que, durante a vinda do ministro da saúde a Manaus, foi levado para conhecer o hospital Nilton Lins, unidade que não está na linha de frente da pandemia, apenas recebendo pacientes encaminhados. “O Hospital Nilton Lins está tranquilo em comparação às unidades que recebem os pacientes. Ele deveria ter visitado o Platão Araújo, os Serviços de Pronto-Atendimentos (SPAs) e demais unidade que recebem os doentes. Nesses locais, veria a situação crítica e precária. Estão faltando oxímetro, respiradores, remédios. É uma dura e triste realidade”, destacou Hilda Ruiz.

Além dos participantes já mencionados, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren), a Sociedade de Trabalho dos Enfermeiros de Urgência e Emergência do Amazonas (Coopenure/AM), docentes do Curso de Enfermagem da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Confederação dos Trabalhadores da Saúde, Escola de Enfermagem de Manaus, Reitoria de Ensino da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) também participaram do debate.

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