Interior Mandato

José Ricardo critica o governador por gastar milhões com publicidade pessoal, enquanto o Estado está no abandono em várias áreas

 

“Essa atitude é postura de um governo arcaico, que está fora da  realidade que os tempos atuais modernos exigem, com participação popular,  com transparência e com um projeto que verdadeiramente melhore a vida do povo”. Essas foram as duras críticas emitidas pelo deputado José Ricardo (PT), diante dos gastos em publicidade e propaganda realizados pelo governador do Estado, Amazonino Mendes (PDT), que já tem autorizado mais de R$ 71 milhões para usar nessa área somente no ano de 2018, dos quais mais de R$ 20 milhões já foram pagos.

Para José Ricardo, esses gastos são desnecessários e tendenciosos, uma vez que a publicidade é pessoal, e não de interesse da coletividade. “O governador está gastando milhões em publicidade e propaganda, mas não é nenhuma campanha institucional ou orientação para melhorar a qualidade de vida da população. É apenas divulgação dele próprio, dizendo que são seis meses de controle das contas públicas e responsabilidade fiscal”, disparou o parlamentar destacando que seria válido todo esse investimento em publicidade e propaganda se fosse para impactar positivamente a vida da população.

Ele disse ainda que o governador precisa cuidar melhor dos recursos públicos e respeitar as instituições, já que atualmente está querendo governar por meio de decretos, ao invés de encaminhar  Projetos de Lei para debater com o parlamento  e  com a sociedade. E para piorar, vem anunciando que fará convênios com as Prefeituras dos municípios do Amazonas, no entanto, sem se preocupar com os critérios para aprovação de convênios, o que seria preocupante, considerando que a maioria dos municípios está inadimplente.

Fiscalização em Tefé

Nesta quinta-feira (19), José Ricardo relatou também sobre a fiscalização feita nas estruturas públicas do Município de Tefé (a 523 quilômetros de Manaus), na semana passada, onde encontrou vários problemas na saúde, na segurança e na educação, bem como em obras. “Um Governo que continua abandonando o interior. Retrato do atraso. E a população continua sofrendo em áreas prioritárias”, disse ele, que irá encaminhar relatório para os órgãos competentes, cobrando providências.

Ele contou que o hospital da cidade é municipalizado, com problemas em vários setores. Dentre os problemas, destacam-se: a falta bombas de infusão, bem como axiômetro, respirador mecânico, gasometria, como ainda falta de manutenção nas instalações elétricas, hidráulicas e nos condicionadores de ar. O poço artesiano requer limpeza, pois a água que sai das torneiras está enferrujada, além da falta de medicamentos e muitos outros.

Já na delegacia do Município, a situação também é grave. O prédio precisa de reforma, está em péssimo estado. Faltam viaturas, pois há várias em abandono. Quanto ao efetivo, ela dispõe de dois delegados, cinco investigadores, cinco escrivães e uma pessoa para limpeza. “No entanto, nos finais de semana, o BO não é realizado. Não tem água. Os banheiros não funcionam, os aparelhos de ar condicionados também não. E as câmaras de segurança estão quebradas. Uma lástima”, frisou.

E, na escola, o prédio necessita de reforma, o sinal de internet é péssimo e uma sala pequena é destinada a 76 alunos, onde os  professores dizem ser  impossível de atender a demanda. Além disso, a empresa “Legítima”, que presta serviços terceirizados em segurança e manutenção do prédio, está há três meses sem pagar os funcionários. “Como pensar em educação de qualidade com uma realidade assim?”, disparou o deputado, lembrando que é de sua autoria a lei estadual que limita o número de alunos em sala de aula, que prevê que até o final de 2020 o Estado deve se adequar aos parâmetros estabelecidos nessa legislação, construindo mais salas de aula na rede estadual, evitando a superlotação.

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