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José Ricardo manifesta-se contra a privatização dos Correios e em defesa dos serviços postais prestados à população

Em Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), realizada na manhã desta quarta-feira (27), os trabalhadores dos Correios, em greve nacional desde o último dia 19, denunciaram o sucateamento da empresa; o alto déficit de pessoal por falta de concurso público há mais de seis anos; a falta de valorização profissional, sem acordos para com as reivindicações trabalhistas, como o reajuste de 8%, e com serviços ineficientes do plano de saúde; e até as ameaças de fechamento dos bancos postais, presentes em todos os municípios do Estado e do País, não só para os serviços postais, mas, inclusive, bancários. Eles lutam pela não privatização da instituição, pelo seu fortalecimento enquanto empresa pública e ainda pleiteiam a instalação de Frentes Parlamentares em Defesa dos Correios em todos os estados, porque entendem que a luta pela campanha salarial pode passar, mas as demais lutas irão continuar.

O autor dessa Audiência e presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Aleam, deputado José Ricardo (PT), afirmou ser totalmente contra a privatização dos Correios, como é contra também a do sistema elétrico e como foi contra outras privatizações de governos anteriores e recentes. “Sempre dão a mesma desculpa, de que privatizando os serviços irão melhorar. Mas, na prática, os serviços não melhoram. Cito o exemplo dos serviços de abastecimento de água, que privatizaram no ano 2000. Não investiram na Cosama, deixando que fosse sucateada. E alegavam que a empresa privada teria recursos pra investir e knowhall. Mas essa empresa francesa desistiu e não garantiu o que estava no contrato, que era 100% de abastecimento de água e 51% de coleta e tratamento de esgoto (hoje não tem nem 10% de tratamento). Em alguns municípios, continua a empresa pública, a Cosama. A empresa privada não se interessou, porque diz que não dá lucro. Esse é exemplo da água. Como iria ficar o interior, por exemplo, com o serviço dos Correios?”, indagou.

E ainda reforçou que todos esses serviços públicos são essenciais à população. Por isso, irá continuar na luta e cobrando investimentos efetivos para o fortalecimento, neste caso, dos Correios. “Parece proposital. Deixaram a empresa ficar desse jeito já para dizer que não tem outra saída, a não ser privatizar. A sociedade não pode aceitar. Porque todos perderão com isso. Com a privatização, os custos deverão aumentar, principalmente, no interior, que já sofre com a situação precária das agências”.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Empresa Brasileira dos Correios e Telégrafos e em Empresas Similares de Comunicação Postal e Telegráfica (Sindtect), Luís Ribeiro de Almeida, funcionário da empresa há 25 anos, a missão de todos os trabalhadores, hoje em greve, é salvar a instituição e seus empregos, para continuar fazendo atendimento de excelência à sociedade. “Os Correios são uma das melhores empresas do País. É lucrativo, porque vive dos serviços pagos pela população.Foi criado para o lado social, e não como capital selvagem. Tem 354 anos neste País. Mas estão deixando ser sucateado para tentar convencer a sociedade de que o único caminho é a privatização. Falam de déficit de R$ 2 bilhões, mas não dizem que foram retirados R$ 6 bilhões da nossa empresa para outros investimentos públicos. E os Correios têm faturamento de R$ 20 milhões/ano, não era para estar vivendo desse jeito.  Por isso, a resistência dos trabalhadores vai até as últimas consequências”, declarou.

Já o presidente da Associação dos Trabalhadores dos Correis (Anatect), Rodolfo Amaral, ressaltou que os Correios têm a sua missão social e o seu papel de integração regional e nacional, destacando, portanto, a importância dos bancos postais para a população brasileira. “Temos 1.873 bancos postais. E já estão ameaçando que todos esses bancos serão fechados a partir de 11 de outubro. Ficamos imaginando o que vai ser da vida das pessoas que moram em cidades mais distantes da capital. Tudo culpa dessa atual política neoliberal, que atinge os mais pobres. São ataques sistemáticos. É importante que reunamos todas as entidades, numa grande frente, contra esse governo entreguista e contra a privatização dos Correios”.

A proposta de debater esse assunto surgiu a partir de uma solicitação do Sindicato dos Trabalhadores na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, discordando da decisão do Governo Temer de privatizar essa empresa pública, bem como das ameaças de fechamento de 250 agências,  além de uma série de medidas de redução de custos e de reestruturação da folha de pagamentos, sob a justificativa de que não havia mais condições de continuar arcando com sua atual folha de pagamento e, para isso, contratou um estudo para calcular quantos servidores teriam que ser demitidos.

Participaram dessa Audiência, além dessas entidades representantes da classe dos trabalhadores, a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) e dezenas de funcionários da instituição. A Superintendência Regional dos Correios não compareceu ao debate, enviando justificativa de que não poderia participar porque toda a empresa está em greve.

 

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