Coronavírus

José Ricardo pede explicações sobre divergência entre dados dos cartórios de Registro Civil Brasileiro e os oficiais do Governo e da Prefeitura; número de mortos pode ser 70% maior

Preocupado com a necessidade do correto planejamento para o atendimento à população nesse período de pandemia e com a diferença entre os dados oficiais de mortes do Governo do Estado e o levantamento feito por sua assessoria no portal de transparência dos cartórios de Registro Civil Brasileiro, que apontam o número de óbitos no Amazonas relacionados ao novo Coronavírus com um crescimento de 158,4% (um total de 796 mortes) entre março e abril de 2020, em comparação com o mesmo período do ano passado (308 mortes), o deputado federal José Ricardo (PT/AM) quer explicações da Secretaria de Estado da Saúde (Susam). Pelos dados do órgão, foram identificados até o momento somente 234 óbitos em todo o Estado, uma diferença de 562 em relação aos números dos cartórios (796), o que podem representar 70% a mais no número de mortes oficiais por Covid-19.

Diante dessa grande suspeita de subnotificações no número de casos e de mortes por Covid-19 no Estado, o parlamentar encaminhou ofícios tanto à Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), que é responsável pelos cemitérios da cidade, quanto à Secretaria de Estado da Saúde (Susam) e à Fundação de Vigilância em Saúde (FVS).

“Não estamos procurando culpados, mas é necessário transparência nas informações para adequar as ações a serem tomadas. A hipótese de subnotificação de mortes tem grande probabilidade de ser confirmada, se verificarmos os dados dos cartórios, que tem uma diferença de 562 óbitos a mais do que os oficiais. Se o problema é maior do que o divulgado, precisamos nos esforçar mais e não esconder o problema”, questionou José Ricardo.

De acordo com ele, essa suspeita agravou-se ainda mais quando da divulgação de um vídeo, neste final de semana, mostrando caixões com corpos sendo enterrados em valas comuns de cemitérios da cidade, com a ajuda de retroescavadeiras. “Esse é o mesmo sistema adotado em outras cidades e países quando a demanda dos cemitérios ultrapassa a capacidade de cada local”.

Dados dos cartórios
A análise dos dados de registro de óbitos dos cartórios foi feita pela assessoria parlamentar do deputado, comparando os meses de março e abril de 2019 e de 2020. No contexto verificado, dos óbitos deste ano, 322 foram resultados de insuficiência respiratória e 474 de pneumonia, causas com forte elevação em relação ao ocorrido no ano anterior, 239% e 122,5%, respectivamente. A proporção das mortes correlacionadas com esse vírus, em relação ao total, passou de 20,6% em 2019 para 36% em 2020, sendo que 14,6% por conta de patologias que levam à insuficiência respiratória e 21,4% por pneumonia.

Já no numero total de óbitos extraídos do Registro Civil e, no mesmo período analisado, esse crescimento foi bem menor, 47,7%, o que representa, em termos absolutos, 714 óbitos a mais passando de 1.498 em 2019 para 2.212 em 2020.

Sindicato alertou sobre colapso
O Sindicato das Empresas Funerárias do Amazonas diz que, em média, eram realizados 30 enterros diariamente, mas que hoje essa quantidade saltou para 100 e até 120 em um único dia. Um número até seis vezes acima das mortes registradas pelo Governo do Estado por Covid-19, que no seu pico chegou a computar 19 óbitos num período de 24 horas.

O deputado lembrou que esse mesmo Sindicato chegou a avisar, há cerca de um ano, que o sistema funerário de Manaus estava entrando em colapso e que a Prefeitura de Manaus nada fez para resolver a situação. “Se há um ano estava assim, imagina agora. Em um ver, falta planejamento, sensibilidade e responsabilidade pública. Existem dois cemitérios do outro lado da ponte, um funcionando e o outro já licenciado, que gostariam de fazer o enterro das pessoas. Mas a Prefeitura não se preparou e, sequer, quis se preparar para esse momento. Nossos entes queridos devem ser tratados com respeito. Esse é o mínimo que se espera da Prefeitura”.

E reiterou seu posicionamento de que as ações tanto do Governo do Estado, quanto da Prefeitura de Manaus e do Governo Federal do Amazonas estão muito lentas. “A Assembleia Legislativa aprovou a intervenção federal na saúde do Estado. Concordo com a decisão, se não fosse tanta lentidão de todos os lados. Estamos falando de saúde e de salvar vidas. Precisa de urgência. Famílias estão perdendo seus familiares para um inimigo invisível que precisa ser combatido com todas as armas da saúde pública”.

VEJA ABAIXO DOCUMENTOS RELACIONADOS AO TEXTO:

24.4.2020_analise subnotificaçao covid 19 v.2.pdf

OFÍCIO Nº 099 SUSAM

OFÍCIO Nº 100 FVS

OFÍCIO Nº 098 SEC. PREFEITURA

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