Amazônia Povos Indígenas

Zé Ricardo integra diligência do Congresso que investigará sumiços e crimes contra Yanomamis

            Diante dos vários conflitos envolvendo violações dos direitos do povo Yanomami, em Roraima, como mortes de crianças e até de jovem, estupros, ameaças e desaparecimentos, sobretudo, em decorrência do garimpo ilegal, o deputado federal Zé Ricardo (PT/AM) apresentou hoje (5) requerimento para que a Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e Amazônia (Cindra) integre diligência conjunta do Congresso Nacional, da qual já está fazendo parte, à Terra Indígena Yanomami.

O requerimento deve ser votado na próxima reunião da Cindra, na quarta (11), para realização de diligência conjunta com a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, que já aprovou o requerimento nº 13/2022, bem como com a Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal e Comissão Externa criada recentemente para acompanhar a situação dos Yanomamis, tendo Zé Ricardo como um dos membros. E essas diligências já acontecerão na próxima semana, a partir do dia 11 de maio.

Para Zé Ricardo, vice-coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas, Senado e Câmara, assim como a Comissão da Amazônia, precisam acompanhar as medidas adotadas pelas autoridades acerca da situação da comunidade Yanomami. “É muita violência, mortes e desaparecimentos, sobretudo, de crianças nessa área. Algo precisa ser feito com urgência para acabar com tanta violação de direitos, que já deviam estar sendo resguardados pela liminar do STF, desde o ano passado”, declarou ele, lembrando que em 2020 comissões da Câmara dos Deputados (Direitos Humanos, Meio Ambiente e Segurança Pública) realizaram audiência para debater o papel do Estado no enfrentamento do crime organizado nessa Terra Indígena Yanomami.

Em maio de 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu liminar determinando à União a adoção imediata de todas as medidas necessárias à proteção da vida, da saúde e da segurança das populações indígenas que habitam as Terras Indígenas (Tis) Yanomami e Mundurucu, diante da ameaça de ataques violentos e da presença de invasores, devendo destacar todo o efetivo necessário a tal fim e permanecer no local enquanto presente tal risco.

Porém, em diligência realizada recentemente pelo Ministério Público Federal (MPF) identificou-se “ampla ocupação do território indígena por garimpos ilegais na região”, “grande pressão social impingida pelo garimpo localizado a 300 metros distante da comunidade e espalhados por toda a região: aliciam os indígenas para o trabalho de mineração ilegal, introduzem elementos exógenos a sua cultura (notadamente produtos industrializados), interrompem a prestação do serviço de saúde e, conforme relatos da comunidade, estabelecem relações violentas com as mulheres indígenas”.

No ano passado, em maio, a Hutukara Associação Yanomami (HAY) denunciou ataque armado de garimpeiros, que teria resultado na morte por afogamento de duas crianças. Já em agosto de 2021, foi denunciado atropelamento de jovem Yanomami por avião utilizado no garimpo ilegal, na Comunidade de Homoxi. E, em outubro de 2021, duas crianças indígenas teriam morrido afogadas após serem sugadas por uma “draga de garimpo” e jogadas no meio do rio Uraricuera, onde teriam sido levadas pela correnteza. Como também, nos últimos dias, a comunidade denunciou a morte de uma criança após estupro, e o desaparecimento de outra. “Cadê os Yanomamis”, nos juntamos nesta luta da sociedade brasileira, em defesa desse povo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.